Relatos de uma certa versão

A gente nessa área de tradução vê, lê e ouve de tudo.

Comprei a versão de “Relatos de um certo oriente” de Milton Hatoum, em inglês “Tale of a Certain Orient” pela tradução de John Gledson.
No original Hatoum faz um suspense tremendo sobre a sexualidade de quem narra a estória. Você só descobre quase no fim do livro.

Na tradução de Gledson, logo no início entre parênteses (A woman speaks).

Fiquei sem palavras…

Porque ele fez isso? Matou, dilacerou, estraçalhou a obra!
Será que o Hatoum viu isso? Alguém viu isso? E alguém viu que ele ainda por cima traduziu Machado de Assis também?
Só imagino como deve ser, porque não vou gastar meu precioso money com tradução dele.

E depois falam para nós: “Para fazer versão é melhor nativo!” É to vendo isso.

Fora esse assassinato logo na primeira linha há diversos erros de tradução, frases mal construídas. Chocante!

E depois ficam com uma frescurite aguda de não deixar tradutor novo pegar obras literárias ou de achar que precisa ser americano, britânico, ou seja, qual for o idioma mãe do fulano para traduzir nossos livros!

Mas o bom de tudo isso é que a gente aprende como NÃO traduzir e se você se especializar e mostrar que trabalha bem, com certeza vai “chover” trabalho para você. Aliás, é bom fuçar nas prateleiras das livrarias e pegar obras bilíngues ou comprar as duas versões. É bom para aprender, ver o que está sendo feito por aí. Aliás, qual será o motivo de tanto descaso?
Porque deixam esses Frankensteins soltos por aí e ninguém faz nada?

Enfim, essa área de tradução está muito defasada e com poucos especialistas, vale a pena investir.

Abs,

Ana Carolina Konecsni

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