Quem conhece? Quem já precisou dele e não obteve ajuda?
Com certeza muita gente não conhece e, caso contrario, nem sabe bem para que serve.
E o que o SINTRA faz? Para que, então, ele serve?
Acho que a resposta mais simples para essas perguntas (aliás, talvez seja a única resposta) é: NADA!!!
Comentando por cima os serviços do órgão citado, apesar de ser um sindicato com a missão de padronizar os serviços da categoria, o Sintra não tem grandes funções…
No site deles encontramos uma suposta “tabela” de preços pelos serviços que devem ser prestados por tradutores e intérpretes. Os valores definidos indicam os preços que são justos pelos serviços (e não os preços praticados no mercado), cada um em sua categoria.
Além disso, essa tabela não indica um valor fixo para tradutores registrados, não cita valores para audiodescrição, não tem regras para cobrança de palavras repetidas e novos termos que surgem, entre outras coisas.
Não conheço ninguém (principalmente empresas de tradução) que pratique qualquer um dos valores indicados. Mesmo no RJ, onde se localiza o próprio Sintra, o valor da lauda é, no máximo, R$ 19,00. Difícil quem cobre por palavra tal qual indicado no site do sindicato.
Aliás, esse negócio de lauda é ERRADO, o correto é por palavra mesmo. Mas acho que isso é fruto dos tradutores e intérpretes juramentados. Como só sabem cobrar por lauda (tudo cobram por lauda, até para legendagem só passam o valor se souberem as laudas) ficou essa zona. Não entendam de forma errada: longe de mim criticar o trabalho dos colegas juramentados.
Já vi gente cobrando R$ 0,04 a palavra, R$ 10,00 a lauda… enfim, a coisa tá feia e não estou falando do filme da Focus!
Além dessa concorrência desleal e injusta o Sintra está na idade das trevas (perdão, sei que tem gente que não gosta desse termo, principalmente professores de história, mas o caso exige), porque hoje temos as TM’s Translation Memory, que agilizam o trabalho e até os clientes já conhecem essas ferramentas e alguns até exigem um ou outro tipo antes da contratação dos serviços.
Também não há regras e valores para venda de memórias, o que torna o comércio desses programas um negócio rentável, super rentável.
Os valores para cobrança de legendagem e dublagem estão completamente fora do mercado! E, além disso, ainda consta na tabela o valor para tradução de legenda de filme 35mm!! Só existe UMA empresa especializada, no Rio de Janeiro, que faz rolos de filmes e o serviço fica em torno de R$100.000,00 (por filme, viu?) .
Por fim, temos o fator mais importante: O Sintra não luta por nenhum ideal, nem sequer pela regulamentação da profissão para que tenhamos mais justiça e possibilidades de trabalho.
Por esses motivos (e mais alguns que não citei), o profissional que se afilia a este sindicato pode receber um rótulo e ter seu trabalho tachado como “pouco qualificado”. Em outras palavras, corre o risco de ser considerado um tradutor ou intérprete ruim, independente de seu currículo!
Será que não está na hora de um sindicado melhor? Que lute para uma regularização da profissão com carteirinha igual o sindicato dos dubladores?
OBS: Fiz a correção do termo audiodescrição conforme o ressaltado pelo colega que faz o blog da audiodescrição.
Entretanto faço apenas um adendo, não é minha intenção no blog discutir o que deve ou não ser feito por tradutores. Nossa profissão é tão deturpada hoje quanto foi a profissão de médico (se utilizavam curandeiros), piscicólogos, dubladores, etc. A intenção foi apenas levantar a questão. Isso é coisa para um sindicado, um conselho, enfim, um órgão competente que possa assumir a responsabilidade de lutar por nossos direitos.
Agradeço a atenção de todos!
Abraços,
Ana Carolina Konecsni e Anne Carolline P. Thalhammer