Saramago e os revisores – Adendo

O texto que inseri do Blog Tudibão é muito bacana em relação a figura do revisor e a dica do livro que fala sobre esse profissional em conjunto é muito interessante.

Entretanto, é bom acrescentar que os revisores tem um papel muito importante e são necessários para a realização de infinitos projetos no campo da tradução.
Contudo, é preciso tomar cuidado, o revisor tem por obrigação pegar alguma palavra que escapou ao tradutor, erros de digitação, ortografia, etc; mas, existem alguns “tradutores” que fazem seu trabalho de qualquer jeito porque acham que é obrigação do revisor “limpar” o restante.

Não deve se jogar a carga de uma “retradução” por parte do revisor.

Temos que procurar fazer um trabalho bom, limpo, em hajam o mínimo de erros que um bom revisor pegará e nos avisará para corrigir.

E outra, mais um desafio para o bom tradutor…ser  AMIGO de seu revisor! Saber lidar com as dificuldades deles, para que possam lidar com as nossas. Tudo é questão de conversar. Sei que nem sempre é possível em nosso mundo fast-food, mas não custa, aos poucos, ao invés de brigar conversar e acertar um ritmo de trabalho em conjunto.

Abraços,

Ana Carolina Konecsni

Saramago e os revisores

O primeiro livro de José Saramago que li me conquistou até mesmo antes de começar a leitura, pois sabia que “História do cerco de Lisboa” tratava da vida de um revisor. Como é um profissional que admiro demais, mas que em geral não é tratado com a devida reverência, fiquei muito curiosa para saber de que maneira o tema tinha virado livro.

Além do intenso prazer de ler um grande e reconhecido autor em sua língua original (e que por sorte também é a nossa, embora com outro “sabor”), a história, surpreendente e muito engraçada, nos apresenta Raimundo Silva, um revisor de meia idade que se vê às voltas com um livro sobre um episódio da história de Portugal, o dito cerco de Lisboa, e que a certa altura decide deliberadamente inserir um “não” em uma frase e mudar os rumos da História, essa agora com “h” maiúsculo. Não conto mais para não estragar a surpresa e deixo a sugestão de leitura.

Saramago nos apresenta um personagem que vive rotineiramente uma vida pequena, mas que ao longo dos anos de profissão acumula uma razoável cultura. Ao acrescentar o tal “não”, ensaia uma revolta contra o texto que está lendo e ao mesmo tempo quanto à pequenez de sua vida e a qualidade de alguns autores.

Além de fazer uma homenagem a esse grande escritor, falecido no dia 18/06/2010, o post presta também uma homenagem aos revisores que, a meu ver, são responsáveis por uma das tarefas mais ingratas deste nosso ofício, em que lidamos com textos mal escritos, mal digitados e mal lidos.

Raramente, como atendimento, recebo dos clientes telefonemas para elogiar trabalhos perfeitos, mas tenho na lembrança a frustração de conversas sobre uma única letra errada em meio a milhares de outras corretas.

Com a chegada dos computadores às redações dos jornais e agências, os redatores passaram a digitar seus próprios textos e, em muitas empresas, até mesmo editoras, a figura do revisor foi eliminada. Um grande erro, daqueles enormes, que saltam aos olhos como uma letra trocada num título de corpo 30. Sem eles perdemos muito em qualidade!

Aqui na agência temos por norma colocar sempre a etapa de revisão nos orçamentos, guardando o devido prazo para que o trabalho saia bem feito.

Para Saramago, o revisor do livro é mote para falar da vida e como ela pode sofrer mudanças totalmente inesperadas. No dia a dia da agência, para não termos que lidar com o inesperado, contamos com os revisores.

Texto: Denise Faria (http://www.elmefaria.com.br/)

Fonte: http://tudibao.com.br

SINTRA – Sindicato Nacional dos Tradutores

Quem conhece? Quem já precisou dele e não obteve ajuda?

Com certeza muita gente não conhece e, caso contrario, nem sabe bem para que serve.

E o que o SINTRA faz? Para que, então, ele serve?

Acho que a resposta mais simples para essas perguntas (aliás, talvez seja a única resposta) é: NADA!!!

Comentando por cima os serviços do órgão citado, apesar de ser um sindicato com a missão de padronizar os serviços da categoria, o Sintra não tem grandes funções…

No site deles encontramos uma suposta “tabela” de preços pelos serviços que devem ser prestados por tradutores e intérpretes. Os valores definidos indicam os preços que são justos pelos serviços (e não os preços praticados no mercado), cada um em sua categoria.

Além disso, essa tabela não indica um valor fixo para tradutores registrados, não cita valores para audiodescrição, não tem regras para cobrança de palavras repetidas e novos termos que surgem, entre outras coisas.

Não conheço ninguém (principalmente empresas de tradução) que pratique qualquer um dos valores indicados. Mesmo no RJ, onde se localiza o próprio Sintra, o valor da lauda é, no máximo, R$ 19,00. Difícil quem cobre por palavra tal qual indicado no site do sindicato.

Aliás, esse negócio de lauda é ERRADO, o correto é por palavra mesmo. Mas acho que isso é fruto dos tradutores e intérpretes juramentados. Como só sabem cobrar por lauda (tudo cobram por lauda, até para legendagem só passam o valor se souberem as laudas) ficou essa zona. Não entendam de forma errada: longe de mim criticar o trabalho dos colegas juramentados.

Já vi gente cobrando R$ 0,04 a palavra, R$ 10,00 a lauda… enfim, a coisa tá feia e não estou falando do filme da Focus!

Além dessa concorrência desleal e injusta o Sintra está na idade das trevas (perdão, sei que tem gente que não gosta desse termo, principalmente professores de história, mas o caso exige), porque hoje temos as TM’s Translation Memory, que agilizam o trabalho e até os clientes já conhecem essas ferramentas e alguns até exigem um ou outro tipo antes da contratação dos serviços.
Também não há regras e valores para venda de memórias, o que torna o comércio desses programas um negócio rentável, super rentável.

Os valores para cobrança de legendagem e dublagem estão completamente fora do mercado! E, além disso, ainda consta na tabela o valor para tradução de legenda de filme 35mm!! Só existe UMA empresa especializada, no Rio de Janeiro, que faz rolos de filmes e o serviço fica em torno de R$100.000,00 (por filme, viu?) .

Por fim, temos o fator mais importante: O Sintra não luta por nenhum ideal, nem sequer pela regulamentação da profissão para que tenhamos mais justiça e possibilidades de trabalho.

Por esses motivos (e mais alguns que não citei), o profissional que se afilia a este sindicato pode receber um rótulo e ter seu trabalho tachado como “pouco qualificado”. Em outras palavras, corre o risco de ser considerado um tradutor ou intérprete ruim, independente de seu currículo!

Será que não está na hora de um sindicado melhor? Que lute para uma regularização da profissão com carteirinha igual o sindicato dos dubladores?

OBS: Fiz a correção do termo audiodescrição  conforme o ressaltado pelo colega que faz o blog da audiodescrição.

Entretanto faço apenas um adendo, não é minha intenção no blog discutir o que deve ou não ser feito por tradutores. Nossa profissão é tão deturpada hoje quanto foi a profissão de médico (se utilizavam curandeiros), piscicólogos, dubladores, etc. A intenção foi apenas levantar a questão. Isso é coisa para um sindicado, um conselho, enfim, um órgão competente que possa assumir a responsabilidade de lutar por nossos direitos.

Agradeço a atenção de todos!

Abraços,

Ana Carolina Konecsni e Anne Carolline P. Thalhammer

Transcrição de Áudio

Quem já ouviu falar? Ou talvez do seu primo Degravação, neologismo inventado por jornalistas?

Essa é uma modalidade dos serviços que o tradutor presta. Ouvir o áudio e transcrevê-lo.
Gente, transcrição não é tradução! Se o áudio estiver em português será em português. Se estiver em árabe, alemão, chinês, etc, será transcrito nas respectivas línguas.

Para quem nunca fez parece fácil, vou ouvir e escrever…1 hora de áudio dá para fazer em 3 horas ou menos facilmente!

Oh! Doce engano. Para ter uma idéia do que implica prestar esse tipo de serviço, descrevo abaixo alguns itens:

- Primeiramente, mesmo o áudio estando em nosso idioma materno as pessoas possuem sotaques, jeitos diferentes de pronuncia, dialetos próprios e vícios de linguagem;

- Depois, temos que gravou o áudio, foi de um aparelho celular? Um gravador? Um equipamento ultramoderno e sofisticado para captação de sons e ainda em som estéreo?

- Os assuntos das transcrições e suas finalidades variam, pode ser o caso de uma traição conjugal, gravações de escuta da polícia federal, palestras públicas, aulas, etc.

- As transcrições podem ser feitas em documentos como o Word ou ir para edição de legendas, também serve esse tipo de trabalho para legendagem para surdos.

E considerando tudo isso, temos o prazo que normalmente é para ontem e o fato de que a fala é mais rápida do que a escrita (mesmo que seja digitador exímio) e o fato de que nem sempre entendemos o que se fala e precisamos voltar diversas vezes para tentar compreender.
Se o áudio não for dos melhores, o tradutor precisa ter em mãos um programa para editá-lo. (Mais uma vez, a tecnologia certa precisa sempre estar à mão).

E mesmo com tudo isso, ainda saem palavras e expressões que não nos são captadas e por isso aparece no texto [Inaudível].

Esse é um tipo de serviço que poucos tradutores pegam, ele engana pelo grau de dificuldade os mais inexperientes, poucos são os que conhecem, quem trabalha com isso precisa ter MUITA paciência porque os assuntos variam e tem gente que fala de coisa que para nós é maçante, assim como tem muita coisa bacana que acrescenta para nosso trabalho, vida, etc.

Você vai ouvir termos que não existem e ter que transcrevê-los (peguei um que era “brasilianização do mundo”!).

Tem transcrição que exige muita pesquisa de nomes de pessoas dos quais você nunca ouviu falar.

Mas o principal é que dá dinheiro. E como dá, porque a média a se cobrar por hora é de R$250,00. (Na tabela do Sintra tá mais alto, mas quem consegue usar aquilo?).

E do mais é um ótimo treino para intérpretes, porque você está ouvindo e escrevendo ao mesmo tempo. Treino prefeito para quem trabalha com consecutiva, ping-pong e acho que ajuda também na simultânea.

Bom, fica aqui a dica, transcrição é boa, dá dinheiro, entretanto é muito trabalhosa.

Abraços,

Ana Carolina Konecsni

Conexões – Itaú Cultural

Recentemente entrei em contato com o Itaú Cultural para me informar sobre novidades, atividades, etc.

Para minha surpresa, descobri que eles fazem uma espécie de mapeamento de tradutores literários (principalmente do nosso português para outros idiomas).

No site já constam tradutores já registrados por eles bem como pesquisadores e professores da área. Clicando nos nomes desses tradutores temos a possibilidade de ver o perfil e vídeos com seus depoimentos.

Também podemos acessar entrevistas, depoimentos, notícias sobre nossos livros versados, artigos sobre poesia…enfim, paraíso para tradutor literário ficar bem informado e descobrir um pouco mais sobre nossa literatura mundo a fora!

Quem estiver interessado em participar do mapeamento, pode entrar em contato através do e-mail contato@conexoesitaucultural.org.br.

Será enviado um questionário com perguntas pertinentes à nossas obras literárias e pede-se um currículo com os livros que já foram versados por você.

Recomendo bastante e espero que aproveitem as informações que disponibilizam para nós!

O link do site é: http://www.conexoesitaucultural.org.br/

Abraços,

Ana Carolina Konecsni

Adaptação

Nossa, que arrepio, ai credo… são as reações causadas nos tradutores quando pronunciamos esse substantivo feminino. Ficam que nem gato “arrepiado”! rss

Antes de julgar a palavra, devemos conhecer o verdadeiro significado dela no contexto de módulos de tradução:

ADAPTAÇÃO: Refere-se às diferenças culturais. Nesse módulo não se traduz todo o conteúdo de uma sentença, um pensamento, por haver choque entre culturas ou até mesmo desconhecimento do significado no idioma de chegada.

Não é que estejamos dilacerando ou acabando com o texto, filme, livro, seja lá o que for… mas sim tentando torná-lo compreensível ao público para o qual deve ser direcionado.

Esse inclusive é um ponto interessante, muitos tradutores nunca ouviram falar ou simplesmente conhecem por cima os módulos de tradução. Temos diversos que ajudam tanto em traduções técnicas quanto e principalmente nas literárias.

As primeiras teorias vieram de Vinay e Darbelnet, depois temos uma explicação melhor aqui no Brasil de Geir Campos e o aperfeiçoamento e atualização de Francis Henrik Aubert – com seus artigos facilmente encontrados num incrível site de busca chamado Google.

Enfim, adaptação não deve ser temida e sim conhecida e compreendida. Fazemos isso o tempo todo em filmes, livros, tradução na área de marketing (onde existe uma infinita variedade de textos sensíveis, que não são somente os religiosos como muitos pensam), etc.

Num filme de Bollywood que legendei havia uma frase em que o protagonista Sharukh Khan comparava a noiva do amigo com Anarkali – ele simplesmente disse “Looks like Anarkali!” – uma escrava do Paquistão que teria sido queimada viva por ter uma relação ilícita com o príncipe que se tornaria imperador. Bom, na impossibilidade de inserir tudo isso numa legenda que dura 2 segundos e meio, deixei apenas “Parece com Anarkali do Paquistão”. E quem quiser saber mais que pesquise.

Isso também foi uma espécie de adaptação. Não poderia deixar simplesmente “Parece-se com Anarkali!” quem entenderia? Com o complemento ao menos fica claro que é algo que não conhecemos que faz parte da cultura deles.

Também há a questão da adaptação em livros para determinado publico. sou fã de uma da Lisístra de Aristófanes traduzido por Antonio Medina Rodrigues e adaptado por Anna Flora. Meus caros, que adaptação maravilhosa! Com explicação no início do livro sobre a cultura grega, sobre a peça e o autor e enfim a adaptação em linguagem jovem como “enrolando”, “transar”, “esse negócio”, muito convidativo a leitura. Principalmente para adolescentes! Mas eu confesso que leio e releio essa adaptação e prefiro e dou mais risada com ela do que as que foram traduzidas mais na “íntegra”!

Esse é o papel, função do tradutor literário! Deixar o texto compreensível e acessível. Divulgar a boa literatura…torná-la atrativa à todos os públicos.

Essa é uma missão de muita responsabilidade e que infelizmente são poucos os que a levam a sério.

Então, querem aprender a traduzir melhor? Estudem os módulos de tradução!

Abraços,

Ana Carolina Konecsni

Bollywood versus Hollywood

A intraduzibilidade dos gestos.

Quem já teve o prazer de legendar ou fazer texto de dublagem para filmes indianos?
Posso levantar a mão com muita alegria. Essa tem sido a melhor experiência da minha vida e o maior desafio também.

Legendar os filmes deles não é tão fácil quanto os de Hollywood. Por serem ocidentais como nós as diferenças não são tão gritantes. Sei que todo o filme tem suas dificuldades, que há desafios principalmente quanto aos neologismos em inglês, mas há outros fatores nos filmes da Índia que complicam a tradução.

A primeira é: Não conhecemos a cultura deles!

Ah, sei, teve a novela “Caminho das Índias”, aliás, muito bem feita, Glória Peres conseguiu se superar e dou graças a Deus de ter assistido, tem ajudado e muito nas traduções.

Mas a cultura indiana é milenar, o hinduísmo tem um panteão de deuses, o povo dos Aryans transmitiam os Vedas oralmente e demorou que chegassem à linguagem escrita do sânscrito.
Não conhecemos o verdadeiro Kamasutra. Pois as traduções que temos por aí não são verdadeiras e deturparam o verdadeiro sentido de ser um pacto entre os casais do que é ou não aceito pelo seu companheiro (a).
Não entendemos os significados de seus gestos. Preciso fazer um adendo aqui, dizem que italianos falam muito com as mãos, confesso que mudei de ideia depois de conhecer melhor os indianos, eles falam com o corpo INTEIRO! TODOS OS GESTOS DELES TEM SIGNIFICADO!

O Híndi (idioma oficial) tem entre 18 dialetos, Punjabi; Urdu; Gujarati… além do inglês deles que contém expressões que nunca vimos, ouvimos (ex: My foot! que seria “O caramba!” “Até parece!”) no idioma falado por britânicos, americanos, entre outros.

Os filmes indianos tem tudo isso, assim como a sonoridade da fala, as músicas (que contam a história também) e grande parte deles têm mais de 3h00!!!

Para que tenham uma ideia observem a música “Salaam” do filme Umrao Jaan com Abhishek e Aishwarya Rai Bachchan (astros de Bollywood juntamente com o “Big B” Amitabh Bachchan). Tem no youtube e fez parte da trilha sonora da novela global. A dança e as mulheres que estão ao redor fazem gestos o tempo todo e para quem não conhece fica difícil de compreender o filme e nós tradutores não temos como colocar legenda explicativa.

O que me espantou mesmo foi que o mesmo “Big B” fez um filme, uma releitura de Aladin em 2009, no qual ele é o gênio da lâmpada. Na parte do filme com a música “O Re Saawariya” ele e Jacqueline Fernandez fazem um verdadeiro sincronismo de dança com os olhos, as sobrancelhas, expressão… gente, são exímios dançarinos! Não dá para copiar!

Os movimentos das danças possuem fundamento nos movimentos do Yoga como podemos ver claramente no filme “The Guru” na música “Tere Bina” também com o casal Abhishek and Aishwarya Rai Bachchan.

Este tipo de cinema é fascinante, são inocentes em grande parte, possuem uma sensualidade de gestos – notem bem SENSUALIDADE, não sexualidade vulgar como conhecemos. No “Kabhi Alvida Naa Kehna” com outro grande astro Shahrukh Khan, no trecho com a música “Mitwa” ele passa o copo que bebeu para seu par romântico do filme Rani Mukherjee para que ela beba no mesmo lugar… isso tem muito nos filmes, porque o ato de tocar o outro é sagrado e somente ocorre após o casamento.

O colorido! Ah, o colorido dessas obras cinematográficas é lindo! Não há o que comentar, só vendo para entender.

Depois de conhecer essa cultura maravilhosa, é difícil voltar aos filmes Hollywoodianos. Tem muita gente que já não gosta e prefere os europeus, mas confesso que a maioria é de uma filosofia pesada e de compreensão difícil. (Em minha humilde opinião). Acho que ver filme é um ato de distração, abstraimento do real e por isso filmes com conteúdo mais denso como os que já vi da França, Alemanha, etc, não chamaram tanto minha atenção. Mas isso também é questão de gosto e mesmo os filmes indianos têm obras neste sentido como o “My Name Is Khan”, também protagonizado por Shahrukh Khan.

Outro fato interessante é que Bollywood produz o dobro de filmes de Hollywood!

Ou seja, é filme que não acaba mais minha gente! Olha o mercado que o Brasil está perdendo!
Esses filmes deviam fazer parte de nossas bilheterias!

Bom, como esse meu trabalho no blog é exíguo, não dá para explicar tudo em uma páginas só, mas não se preocupem, haverá continuação.

Abraços,

Ana Carolina Konecsni

Relatos de uma certa versão

A gente nessa área de tradução vê, lê e ouve de tudo.

Comprei a versão de “Relatos de um certo oriente” de Milton Hatoum, em inglês “Tale of a Certain Orient” pela tradução de John Gledson.
No original Hatoum faz um suspense tremendo sobre a sexualidade de quem narra a estória. Você só descobre quase no fim do livro.

Na tradução de Gledson, logo no início entre parênteses (A woman speaks).

Fiquei sem palavras…

Porque ele fez isso? Matou, dilacerou, estraçalhou a obra!
Será que o Hatoum viu isso? Alguém viu isso? E alguém viu que ele ainda por cima traduziu Machado de Assis também?
Só imagino como deve ser, porque não vou gastar meu precioso money com tradução dele.

E depois falam para nós: “Para fazer versão é melhor nativo!” É to vendo isso.

Fora esse assassinato logo na primeira linha há diversos erros de tradução, frases mal construídas. Chocante!

E depois ficam com uma frescurite aguda de não deixar tradutor novo pegar obras literárias ou de achar que precisa ser americano, britânico, ou seja, qual for o idioma mãe do fulano para traduzir nossos livros!

Mas o bom de tudo isso é que a gente aprende como NÃO traduzir e se você se especializar e mostrar que trabalha bem, com certeza vai “chover” trabalho para você. Aliás, é bom fuçar nas prateleiras das livrarias e pegar obras bilíngues ou comprar as duas versões. É bom para aprender, ver o que está sendo feito por aí. Aliás, qual será o motivo de tanto descaso?
Porque deixam esses Frankensteins soltos por aí e ninguém faz nada?

Enfim, essa área de tradução está muito defasada e com poucos especialistas, vale a pena investir.

Abs,

Ana Carolina Konecsni

Tradução Técnica

Não é a minha especialidade.

Não gosto, principalmente se for sobre TI e evito pegar.
Uma área que está muito “prostituída”, existem muitas ferramentas CAT que fazem quase tudo sozinhas e você só dá uma mãozinha.

Sim, áreas mais subjetivas como jurídica, marketing realmente creio que nunca serão totalmente automatizadas. Mas depois de um tempo cansa traduzir o mesmo tipo de texto e infelizmente paga-se muito pouco e o reconhecimento é quase nenhum.

Mas para quem ainda prefere esse tipo de mercado é bom ficar de olho nas tecnologias. Não se sobrevive sem elas!
Como também tenho uma empresa de tradução já peguei cada coisa…tradutor novo que não sabe como escrever Twitter (porque nem sabia o que era). Gente que nunca ouviu falar de Worfast e muito menos Trados! Ou que simplesmente não aceitam essa tecnologia e por isso vão na unha mesmo!

Não dá gente! Sem condições! Recebi um e-mail do Eduardo passando o post de um blog Garota sem Fio, realmente muito bom! Cheio de novidades tecnológicas e uma matéria com Ana Iaria, tradutora há mais de 20 anos. Ela está superantenada com o mundo tecnológico (como deve ser) e dá várias dicas para quem é da área.

O link é http://www.garotasemfio.com.br/blog/2010/07/08/podsemfio-n-96-tradutores-e-profissoes-solitarias/.

Outro blog bacana e cheio de dicas é o http://fidusinterpres.com/.

Espero que possa ajudar os aprendizes com isso!

Abs,

Ana Carolina Konecsni

Tradutor – É solitário andar por entre a gente!

Penso logo existo! Opa, frase errada.

Penso ser um mito essa questão de que tradutor é solitário…
Até mesmo na tradução técnica, acho bom que tenhamos um parceiro para revisar para nós. Ou mesmo um amigo na área para tirar dúvida, dar uma opinião. Nas horas difíceis apelo até para a minha mãe! Claro! Quantas vezes precisei de gírias antigas…rsss

Na tradução literária então, nossa, é sine qua non ter um networking. Outro dia estava traduzindo uma parte de um livro que continha uma palavra intraduzível “but then they danced down the street like dingledodies” de “On the Road”.
Significado de “dingledodies”: pessoas extraordináriamente positivistas, aqueles que são loucos para viver – talvez algo relacionado ao carpe diem, não sei.

Aí, como eu precisava de uma tradução, não podia manter a palavra e colocar nota explicativa porque era para um público jovem, traduzi por tresloucados. Mas para ser sincera não gostei.
Em uma tradução na internet achei “piões frenéticos”, nossa pior que a minha!
Gente senti uma falta imensa de ter amizade com um poeta. Eles são os únicos que conseguem “gerar” palavras e expressões inovadoras como “carpintor”,  ”desenrock-se”, “unimultiplicidade”, “desinvernou”, “dia-diou”, “quitiquirá” e “pande que chó” de Tom Zé.
Mas infelizmente tinha um prazo e nenhum amigo poeta :( .

Bom enfim, se fosse outro tipo de edição manteria a palavra original e explicava depois.

E vocês? Alguém teria uma idéia melhor?

Abs,

Ana Carolina Konecsni