O Kindle “Brasileiro”, Pela Experiência de um Feliz Proprietário
da Redação, em 17/11/2009
Este é um review enviado por e-mail por um dos comentaristas habituais dos nossos posts, o Luiz André. Ele comprou o Kindle e nos enviou um relato sobre a experiência de ter um em casa.
Se você também gostaria de compartilhar suas experiências e reflexões sobre e-books (ou literatura em geral, por que não?), envie seu texto para o nosso email: plus arroba editoraplus ponto com.
É bonitinho, o bichinho. A frente de plástico e o fundo de metal são muito agradáveis, tanto à visão quanto ao tato. É bom de pegar, encaixa direitinho na mão. Ao lidar com o Kindle, o sujeito convence-se de que os e-readers não precisam de telas do tipo touchscreen, que, dedo-pra-lá-dedo-pra-cá, ficam a maior lambança. Segurando o Kindle com uma das mãos, ou com as duas, vê-se que os polegares estão na posição exata para passar a página. É só apertar o botão sob o dedo e pronto. Por falar em botões, todos os do Kindle são fáceis de usar e bastante intuitivos. Talvez a única dificuldade (mas não é realmente uma dificuldade, pois a adaptação é rápida) seja um botãozinho (o manual o denomina “5-way controller”) que fica ali do lado direito, pouco abaixo do polegar. O feliz proprietário do Kindle deve usá-lo como se fosse um mouse, guiando-o para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita. Para selecionar o que foi escolhido, é só apertar o mesmo botão. Enfim, coisa com que o sujeito se acostuma em cinco minutos, sem sobressaltos.
O acesso à internet (isto é, ao site da Amazon) funciona bastante bem. Navega-se com boa velocidade, e os títulos são encontrados de maneira rápida e fácil. É bem verdade que, enquanto se acessa a internet, às vezes a coisa meio que dá uma travada, como se a rede tivesse sumido. Mas é tudo muito ligeiro, e logo a página carrega. Também a compra direta pelo aparelho é rápida e prática. Realizado o pagamento, o título do livro, como que por mágica, materializa-se na tela inicial, aquela em que se vê os títulos que estão dentro do bichinho.
Por falar em tela, uma de minhas queixas é em relação ao tom de cinza. Confesso não saber se o tom de cinza tem a ver com o contraste ou com o brilho. O fato é que às vezes tenho a impressão de que estou lendo num final de tarde, e que já vai ficando escuro e estou com preguiça de levantar para acender a luz. Consigo ver bem as letras, mas a “folha de papel” está meio escura. Tenho cá para mim que uma folha de papel não é cinza. É branca, ou meio amarelada, mas nunca cinza. Se a tela do kindle (mas não apenas dele, pois todos os e-readers apresentam a mesma característica) fosse um pouco mais clara, talvez a leitura fosse ainda mais confortável. De qualquer modo, já me acostumei ao fato, e consigo ler bem este novo tipo de “página”. Minha recomendação, entretanto, é de que a leitura se dê num local com boa iluminação (por exemplo, numa varanda ao abrigo do sol, mas com aquela claridade típica dos dias ensolarados, e uma leve brisa soprando, etc. etc.).
Ainda em relação à tela, mas mais precisamente quanto ao que aparece nela, aponto aqui um “defeito” que ainda não vi ninguém apontar. Devo ser um chato, um perfeccionista, mas imagino que se a função dos e-readers é substituir os livros, então eles devem apresentar as mesmas características de um livro. Os livros normais, de papel, são compostos em fontes (ou tipos) diferentes. As fontes, ou tipos, são as letras dentro do livro, e variam muito. Há, por exemplo, a clássica Times New Roman, ou a Arial, ou ainda a Book Antiqua, dentre centenas de outras. No Kindle (mas, novamente, não apenas nele) não há a possibilidade de trocar a fonte. Você acaba um livro e entra noutro e a fonte é sempre a mesma. Parece que você está lendo o mesmo livro. Não sei, gosto de fontes. E gosto de algumas fontes específicas. Não seria nada mal ter um e-reader que me permitisse escolher algumas fontes para aplicar aos textos. Não deve ser algo difícil de se fazer, e espero que nos próximos softwares alguém atente para isso.
Por falar em fonte, não tenho como deixar de falar da “cara” com que o texto aparece na tela. No Kindle, aparentemente todos os textos são justificados, isto é, apresentam um alinhamento perfeito entre as linhas da esquerda e da direita. Até aí tudo bem. O problema é que os textos não têm hifenização, e às vezes acabam ficando “feios”, com grandes espaços entre as palavras. Os livros (ou documentos) de papel não são assim. Ou o texto é justificado, com hifenização, ou é alinhado à esquerda, e nesse caso a hifenização é dispensável. O Kindle, portanto, deveria permitir o recurso do alinhamento à esquerda, ou da justificação com hifenização. É querer demais, eu sei. Mas me parece que pelo menos os e-books compostos no formato ePub são corriqueiramente alinhados à esquerda, sem hifenização, e já acho isso muito bom. Como eu disse, provavelmente sou o tipo do chato que fica notando detalhes que provavelmente não incomodam a ninguém, só a mim. Por outro lado, acredito que nenhum bom editor gostaria de publicar um livro “feio”, com espaços demais entre as palavras.
Mas vamos às coisas boas. O dicionário integrado (The New Oxford American Dictionary) é uma mão na roda. Você o acessa por meio do tal mouse (o “5-way controller”), posicionando o cursor na frente da palavra cujo significado deseja conhecer. De cara aparece uma primeira definição, lá embaixo da página. Se você não estiver satisfeito, por ali mesmo pode abrir o dicionário, para ter acesso às demais entradas (definições). Depois de encontrar o que você precisa, é só apertar o botão “back”, pertinho do mouse, e pronto: você volta ao texto.
O recurso text-to-speech, que transforma, por assim dizer, o e-book num audiobook, é bem interessante, e as vozes (você pode escolher entre uma voz feminina ou uma masculina) não são robóticas, como seria de se esperar. Você pode optar por uma leitura mais rápida ou mais lenta, ou por uma leitura padrão. O problema é que apesar de as vozes serem naturais, elas são frias. Não há diferenças de entonação, nem pausas mais longas ou mesmo hesitações, recursos de efeito muito comuns quando se lê em voz alta. Ainda assim, o recurso me surpreendeu, pois tanto a voz feminina quanto a masculina são relativamente fáceis de acompanhar.
A bateria dura o tempo prometido, isto é, duas semanas, pouco mais ou menos, mas isso não é novidade em e-reader nenhum. Como se sabe, o que consome energia num e-reader é a mudança de página e não necessariamente a página “aberta”, parada. Quanto a mim, faz uma semana que uso o meu Kindle diariamente, durante duas ou três horas, mexendo pra lá e pra cá, e o ícone da bateria ainda está em mais da metade. Ou seja: dar carga não é uma preocupação. Notei, entretanto, que se você deixar o wireless ativo, o consumo será maior: talvez duas vezes mais rápido. De qualquer modo, ninguém precisa deixar o wireless ligado se não estiver navegando pelo site da Amazon.
Sem dúvida o Kindle tem outras características, boas e más, que eu poderia mencionar. Não o faço, porém. Deixo a tarefa a quem verdadeiramente entende da coisa. Este texto, que já se estendeu demais, retrata apenas as minhas impressões, rasas e ligeiras. Aliás, por tudo o que eu disse, talvez até pareça que o Kindle recebeu, de minha parte, mais críticas do que elogios. Longe disso. Acho que o Kindle (e os e-readers de igual porte) vieram para ficar, e são, senão o futuro dos livros, pelo menos parte importante dele. Acredito que vamos conviver bem com os livros de papel e com os seus equivalentes virtuais. Por sinal, não é preciso mencionar o prazer que é ler um (bom) livro de papel, mas ainda é preciso, e muito, exaltar o prazer que é ler um e-book bem formatado num e-reader decente. O conforto que um e-reader oferece é algo notável. Mais do que os livros, os e-readers (e o Kindle, me parece, mais do que os outros) foram criados para se encaixarem na mão, para pouparem ao leitor qualquer esforço, permitindo-lhe o acesso direto à leitura, e apenas à leitura. Agora mesmo, enquanto escrevo, mal posso esperar para deitar no sofá e ter o meu Kindle em mãos.
P.S.: Uma última coisa: é surpreendente a quantidade de livros indisponíveis, no site da Amazon, para download na América Latina e Caribe. É certo que o sujeito ainda tem a opção de escolher entre “apenas” 300.000 livros, mas os números contrários não podem ser desprezados. São cerca de 60.000 livros indisponíveis. E o pior é vê-los lá, no site, inalcançáveis. E o mais incrível: parece que justamente os livros que você quer são os que você não pode baixar. De qualquer modo, é imensa a quantidade de bons livros disponíveis, a maior parte deles com preços pra lá de módicos, especialmente se comparados aos preços praticados no Brasil. Espero que em pouco tempo não apenas a Amazon, mas também outras livrarias, inclusive as brasileiras (como já o faz a Editora Plus), comecem a distribuir e a comercializar mais e mais e-books, e em formatos cada vez mais abertos. Acho que todos, consumidores e empresários, vão sair ganhando.
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Publicado em: (Artigos)
Tags: ebook reader, kindle, kindle 2, kindle brasil







Comentários (16)
O Kindle Pela Experiência de um Feliz Proprietário | Alessandrolândia
18 / 11 / 2009 - 11:35
[...] O Kindle Pela Experiência de um Feliz Proprietário – Leitor comprou o Kindle e enviou um relato Tags: avaliação, ebook, ereader, kindle, livroseafins, relatos 18/11/09 | 08:00 | (0) Comente! [...]
Notas: carta pela compaixão | Livros e afins
20 / 11 / 2009 - 11:25
[...] O Kindle Pela Experiência de um Feliz Proprietário – Leitor comprou o Kindle e enviou um relato [...]
Andrei Formiga
24 / 11 / 2009 - 15:06
Minhas impressões são bem similares às suas, tanto nos lados positivos quanto nos negativos. Em geral, foi uma ótima aquisição, e eu agora carrego corrigueiramente mais de 40 livros para onde quiser sem precisar me preocupar com o peso deles.
O contraste definitivamente poderia ser melhor; com boa iluminação não é problema, mas em situações com menos luz fica menos agradável ler no Kindle do que no papel. Não é verdade que todas as telas de e-Ink têm o mesmo contraste. O Kindle DX, por exemplo, é notavelmente melhor nisso, e já vi um reader da Sony cujo contraste era melhor.
Sobre as fontes, é possível ter fontes diferentes, mas pelo que eu sei elas devem vir embutidas no arquivo do ebook, o que aumenta seu tamanho. Um ou dois dos livros que tenho no Kindle atualmente usam fontes diferentes da padrão. A opção do usuário mudar a fonte provavelmente não será adicionada (oficialmente), já que o Kindle visa a simplicidade, mas existem hacks para fazer isso (inclusive adicionando suporte a fontes de caracteres internacionais como japonês e russo) que são fáceis de encontrar na Web.
Uma observação que acho que faltou foi com relação à organização dos livros no aparelho: quando o número de livros começa a aumentar pode ser problemático encontrar o que se quer. Muitos usuários pediram alguma forma de organização (pastas ou tags), e finalmente a Amazon anunciou que deve adicionar isso em um update no ano que vem.
No mais, estou lendo livros de domínio público de graça em um formato confortável (muito mais do que ler na tela do computador) e comprando livros da Amazon sem pagar frete e recebendo imediatamente. Acho que o saldo geral é bastante positivo.
Jackeline
10 / 12 / 2009 - 19:53
Estou com dificuldades em ler livros em pdf.
Alguem pode me ajudar?
Fernanda
13 / 12 / 2009 - 21:20
Oi! Gostei muito do artigo e do site todo! Estou escolhendo um e reader para comprar e o site está me ajudando muito a resolver a dúvida cruel. Mas uma coisa ainda não ficou clara para mim: o Kindle, afinal de contas, lê PDF e TXT sem eu precisar convertê-los no site da Amazon? Posso simplesmente pegar um arquivo em PDF e jogar ni Kindle? E mais, ele vale a pena para pobres mortais como eu que pretendem apenas baixar livros em português? Obrigada pela atenção ; )
Eduardo Melo
14 / 12 / 2009 - 12:20
Oi Fernanda, confira o artigo que nós publicamos hoje, 7 dicas para quem vai comprar um e-book reader.
Luiz André
14 / 12 / 2009 - 22:33
Oi, Fernanda. Se você pretende ler apenas livros em português, a minha opinião é de que o Kindle não é a melhor pedida. O bom do Kindle, seu grande diferencial, é o acesso ao site e aos milhares de livros da Amazon – todos em inglês, por enquanto.
Quanto ao PDF, ainda não tentei colocar nenhum arquivo deste no meu Kindle, e por um único motivo: não acredito que a formatação fique boa. Já tive uma experiência ruim. Comprei um livro em PDF para o meu Sony PRS-300 (e olha que foi num site especializado) e a coisa não ficou nem um pouco satisfatória. O texto fica muito pequeno no formato original, e, se você aumentar o tamanho da letra, as linhas ficam quebradas. Até que dá pra ler, mas eu não tenho paciência.
Na minha opinião, PDF não é nem de longe a melhor opção para quem quer ter um e-reader. A melhor opção, sem dúvida, é o formato ePub, que vai muitíssimo bem num Sony e em outros e-readers. Se mesmo assim você insistir em ter um Kindle, poucos sites no Brasil vão te dar livros bem formatados. Pra falar a verdade, a Plus é o único que conheço. Aí você escolhe o formato “mob” e dá tudo certo.
Fernanda
15 / 12 / 2009 - 21:31
Ok!! Muito obrigada pelas dicas!!
Frankly Andrade
8 / 01 / 2010 - 10:58
Amigos, bom dia. Conforme falei no meu post, porem não fui muito específico, aos usuários do Kindle oriento a compra de um indispensável acessório, aliás, dois indispensáveis acessórios: a lâmpada Might Bright, principalemente para os qe lêem até tarde da noite e que deitam ao lado de pessoas que têm fobia à luz (esta atitude pode salvar um casamento – risos). Segue o link: http://www.amazon.com/Mighty-Bright-XtraFlex2-Frustration-Free-Packaging/dp/B002CMLDT6/ref=pd_sim_kinh_6 . O outro acessório é a capa para o Kindle http://www.amazon.com/Amazon-Kindle-Leather-Display-Generation/dp/B001JAH7OM/ref=pd_sim_kinh_1 , pois o protege bem.
Abraços
Vanessa Mendes Argollo
8 / 01 / 2010 - 17:22
Olá,
No caso de livros em áudio, o Kindle tem algum tipo de saída para áudio ou não?
Obrigada
Frankly Andrade
8 / 01 / 2010 - 17:42
Sim, Vanessa. Ele lê arquivos em mp3.
Abraços.
Nilton de castro Souza Pinto
13 / 01 / 2010 - 15:28
Sou escritor de estórias infanto-juvenis e gostaria de publicar independentemente as minhas obras no Kindle.
Pelo o que tenho lido, isso ainda não é possível, estou certo? Caso eu esteja certo, há uma previsão de quando isso será possível?
Abraços.
Frankly Andrade
13 / 01 / 2010 - 16:12
Nilton, boa tarde. Tenho a impressão que se você disponibilizar o livro em formato .prc ou .azw já será para Kindle. Aguardo suas publicações. Gosto de estórias infantis. Abraço.
Tainara
8 / 02 / 2010 - 0:23
Bom dia leitores. E possivel transferir livros do computador para o kindle e le-los? ou tenho sempre de baixa-los da amazon? tainara@mig33.com
Luiz Campos
19 / 02 / 2010 - 2:31
Sensacional o relato!!! Muito bom! Gostaria de acrescentar uma informação e tirar uma dúvida com quem escreveu a nota.
1 – Eu instalei o software do kindle no meu computador e consegui comprar livros os quais, até onde entendi, eram apenas para venda dentro dos EUA. Como eu já tinha comprado livros e fornecido um endereço de entrega nos EUA (casa de uma amiga), quando fiz meu cadastro no Kindle mantive esse endereço e me cadastrei como usuário interno dos EUA. Tudo bem… uma mentirinha, mas que não faz mal a ninguém… Então, acho que se vc fizer seu cadastro dessa forma, consguirá acesso (tbém não acho justo não termos acesso a tantos bons livros).
2 – Gostaria de saber sobre a função de highlight e de escrever notas com o teclado. Eu uso muito isso para textos acadêmicos e gostaria de saber de que já tem como foi. É prático? Ou não?
Obrigado!
Luiz Campos
20 / 02 / 2010 - 2:36
Acabei de ler o manual do Kindle e tive a triste notícia de que para arquivos PDF não há a opção de fazer highlights e notas. Alguém poderia me confirmar essa informação? Se a opção estiver apenas disponível para os livros no formato AZT será muito frustrante…
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