Diário da 4a. Feira do Livro de San José de Mayo, Uruguai
Estou na simpática cidade de San José de Mayo, Uruguai, que fica a cerca de 100km da capital Montevidéo. San José de Mayo é a capital do departamento de San José (o equivalente a Estado no Brasil), tem cerca de 40 mil habitantes e é um lugar acolhedor e simpático. As pessoas são educadas e tratam os visitantes com respeito, as ruas são limpas, as lojas não têm grades cortinas de ferro, as casas e prédios não tem grades. O pessoal mais jovem anda bastante de moto e bicicleta, bem mais do que no Brasil, seguramente. Não parece haver transporte público na cidade, não vi nenhum ônibus circulando.
Um dado muito interessante, que obtive conversando com algumas autoridades locais e por observação direta: todos os estudantes do equivalente do ensino fundamenal no Brasil, possuem o computador do programa One Laptop per Child (ou Una Computadora por Niño). Quando eu encontrar algum estudante com o computador, vou ver se converso para saber como é a experiência de usar o XO.
Ontem foi inaugurada a 4a Feira do Livro, que conta com a participação de várias embaixadas estrangerias e associações de escritores de vários estados do Mercosul. Tive o prazer de almoçar com três escritores – uma uruguaia, um argentino e um paraguaio, gente boníssima, que tocam inúmeros projetos de literatura em Assunção, no Paraguai – exato, eles são de países diferentes, mas moram todos no Paraguai. Almoçamos no restaurante Parrijada 18 de julio, cortesia do munícipio de San José. Conversamos muito. Os problemas do mercado editorial, enfrentados por esses autores, são os mesmos de sempre. A distribuição limitada ou precária das suas obras, editoras que aprovam livros mas chamam o autor para dividir despesas de publicação, edições que vendem 300 ou mais exemplares sendo consideradas um sucesso absoluto. É interessante que, embora escrevam em espanhol e tenham um público potencial enorme, eles simplesmente não conseguem distribuir suas obras para fora das fronteiras do Paraguai – às vezes, nem mesmo fora da cidade de Assunção. O Brasil fala outra língua, mas a situação do mercado editorial nesse sentido é de uma semelhança assombrosa.

Escritores do Mercosul. Alejandro, Gabriel, Irina e eu
A Feira do Livro de San José foi inaugurada no final da tarde. A principal organizadora e inspiradora do evento é a secretária de educação Celeste Verges, uma pessoa cheia de energia, muito disposta e amável. Celeste não entende quase nada do que eu falo, embora o português seja tão parecido com o espanhol, mas com algum esforço (e ajuda de alguém ao redor que me entenda) nós conseguimos nos comunicar bem. Irei entrevistá-la, assim como aos outros autores e profissionais do mercado editorial que estou conhecendo aqui, para os leitores da Plus visualizarem a diversidade cultural que existe na América Latina, da qual fazemos parte, mas nem sempre lembramos.
Hoje, dia 30, irei apresentar os e-books em dois eventos distintos – um deles, mesa-redonda sobre a leitura no século XXI. Vamos ver como o pessoal encara o e-book numa discussão. Por enquanto, pessoalmente, mostrando os livros da Plus no iPhone e no Reader da Sony, foram só elogios.







Que legal, parece estar sendo uma experiência enriquecedora e com bastante potencial. Será que veremos a Plus lançando livros em Espanhol em breve? Me parece promissor.
Boa sorte com os eventos, Eduardo, e bom proveito!
Hola a todos: yo soy una de las periodistas de Radio 41 de San José que entrevistó a EDUARDO MELO y la verdad es que fue una entrevista muy productiva. Nos encanta que destacadas personalidades de otros países conozcan nuestro departamento y se vayan con ganas de -al menos una vez- volver.
¡¡¡Muchas gracias por su aporte!!!
Saludos, María Sofía Bauzá.